19 de outubro de 2007

35 - O Anjo

Um dia acreditei em anjos, apesar de convicto e seguro de minhas realidades, observei uma criatura bela e iluminada.
Imaginei, um anjo.
Tentei me aproximar com intuito de uma nova descoberta.
A não-afirmação do retorno à vida.
A morte anunciada. Fui afundo.
Nadei nas rasas e me encantei. Entreguei os sentidos e me aprofundei.
Me peguei acorrentado, e acreditem, gostei.
Tinha descoberto um guardião. Uma fuga, uma razão para não mais chorar.
Chorei.
De emoção ao dividir momentos de aflição, ódio, amor e completa devoção.
Não tinha olhos para o resto. Cego pela confiança.
No limbo não existem crianças.
Nego.
Nego.
Nego.
Hoje vejo que não existe pureza.
Que aquela sensação de conforto se assemelha à demência.
Que quando me entrego, resta às costas bilhetes de chutes na traseira.
Que apesar de todas palavras ditas, convictas e atemporais, no após a peste sem cura do mar em fissura, descabelada alma que figura, com figurões sem ter questões a discursar.
De mãos dadas esquece o tempo, destrói o que corroe meu alimento, o não mais vida, o não amor, a não perspectiva.
Hoje sofro, novamente, por ser teimoso e insistente, não acreditar em mim quando me dizia..
não existem anjos, não existe vida,
no limbo.

p.r.

19-10-07

1 Comments:

Blogger Giovanna said...

acho q vc pode voltar a acreditar em anjos. eu por exemplo sou seu anjo, sabia? não desse jeito ai. mas sou, um anjo, com o coração de prata. um anjo que cuida, que ama e quer teu bem, sempre.

12:10 PM  

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